O que é INFLAÇÂO INERCIAL

Me lembro muito bem dos anos 80, em que vivi durante a nossa chamada década perdida.

Na ocasião, eu trabalhava como gerente de vendas da maior filial de um grupo empresarial que produzia e vendia EPI´s (equipamentos de proteção individual para a indústria), em S.B.do Campo/SP no grande ABC paulista (coração do PIB brasileiro).

Naquela época o descontrole inflacionário tornou o Brasil um dos países mais paupérrimos e pouco sérios do mundo (coisa que minha mãe vive dizendo até hoje!).

Eu tenho a sensibilidade de perceber que a partir deste momento econômico que estamos vivendo agora (final de 2016), se nada de substancial for feito pelo novo governo, para reduzir o assombroso deficit fiscal via atitudes que cortem gastos públicos e NÃO simplesmente por via de AUMENTO DE IMPOSTOS GENERALIZADOS, a inércia inflacionária do passado será a nossa realidade do presente !

Vou explicar para vocês, de uma forma bem simples e didática, no que consiste este fenômeno interessante, e um dos mais relevantes da história econômica mundial, na qual precisamos ficar muito atentos para os desdobramentos que esta nossa crise econômico-política possa desencadear à população, se nada de consistente for feito !

INFLAÇÃO INERCIAL é aquela que mantém a elevação de preços na economia produzindo CONTINUIDADE dos efeitos danosos para o futuro. Refere-se à ideia de memória inflacionária, onde o índice atual de inflação é a inflação passada mais uma expectativa de inflação futura.

É aquela em que fundamenta a tese de que a CAUSA DA INFLAÇÃO é a  PRÓPRIA INFLAÇÃO !

Vários índices contabilizam a inflação no Brasil, como p.ex o IPCA (índice oficial do governo) ou o IGP-M, e que servem para balizar os reajustes de preços de toda a economia, como o de: financiamentos, aluguéis, mensalidades e materiais escolares, serviços cartoriais, pedágio em rodovias, restaurantes, passagem de ônibus e metrô, produtos alimentares de supermercados e sacolões, vestuário, etc.

 Isso quer dizer que a inflação passada altera os preços do presente, e estará embutida para a formação dos preços no futuro.

Pela sua capacidade de estar sempre carregada de um ano para outro, ela não desaparece nunca.

Em poucas palavras, a inflação futura sempre terá o componente inercial das inflações passadas.

A inflação inercial se propaga com a aceleração inflacionária decorrente de aumento de custos (diretos e indiretos) das empresas ou pelo aumento da demanda agregada (procura) por produtos e serviços pela população.

Estes mecanismos podem ser: formais e informais.

Formais: são as regras específicas e legais de aumento. Ex.: aluguéis, mensalidades escolares, tributos municipais, estaduais e federais, etc. Informais: quando os agentes econômicos aumentam o preço porque os outros também o fizeram. No Brasil, na época da inflação elevada (nos anos 70 e 80) os contratos de diversos tipos tinham cláusulas de correção que eram auto-aplicáveis. Isso gerou na população um comportamento inflacionário: transferia-se para o mês seguinte a taxa de inflação do mês passado, mesmo que não houvesse pressões na demanda (procura) por produtos e serviços pela população ou de custos.

Informais: quando os agentes econômicos agem como seguidores de preços, ou seja, aumentam os seus preços porque os outros também o fizeram.

O objetivo nesse momento do governo seria, desde já quebrar esse efeito inercial inicial, que na minha opinião, pode estar alimentando agora a inflação futura.

Tentar injetar mais dinheiro na economia, via financiamentos subsidiados pelos bancos federais (BNDES, CEF e BB) à setores específicos,, somente agravaria mais a situação.

Medidas drásticas como redução dos subsídios populares, enxugamento da máquina pública em todos os escalões e processo de privatizações de estatais, teriam melhores resultados, além de criar uma base sólida para a economia e para os agentes econômicos mudarem sua percepção quanto ao futuro.

A falta de otimismo das pessoas, da credibilidade no governo, de dúvidas quanto ao futuro e a NÃO manutenção das regras do jogo, etc. são fatores que influenciam na continuidade dessa inércia de preços e, principalmente do NÃO investimento em Brasil.

Precisamos urgente de um AJUSTE FISCAL sério e “DO IT NOW” (já!), sem empurrar com a barriga até o final de 2018, e deixar esse assunto para o PRÓXIMO governante.

Agir engessado como ficamos até recentemente com o governo anterior, seria uma grande insensatez por parte do governo, e muita maldade NÃO pensar nos mais humildes afetados: pais de família desempregados ou em via de perderem o seu emprego.

Sucesso e Bons investimentos!

Prof. CR, MSc. (Economist)

 

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Profº. Carlo Renzi (CR)

Economista, Expert em Finanças e Mercado Imobiliário, especialista em Investimentos Multimercados e planejamento financeiro pessoal. Investidor independente e consultor financeiro. Possui MESTRADO em Economia Internacional, pós-graduação em Economia Política concluídos em universidades européias (Portugal e Itália respectivamente), e MBA em Negócios e Empreendimentos Imobiliários. PÓS-GRADUANDO em Direito Imobiliário. É o CEO e o Fundador da CR2 Multimercados. Vive de renda passiva desde que atingiu a sua Independência Financeira PLENA (IFP) após 15 anos de trabalho formal, e quer ajudar você a alcançar o mesmo objetivo. Sendo IFP = investimentos financeiros + imobiliários físicos

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